sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Texto - Pássaro livre



    O meu pássaro solitário, já não canta mais. Acho que ele morreu em sua solidão. Nunca mais ouvirei seu canto, entretanto ele continuará, sempre a cantar.
     Meu pássaro já não canta, mas, outro canta em seu lugar. Algo me diz que também não o verei, como nunca vi meu pássaro solitário. Mas seu canto está, e estará presente, acima de qualquer som, lembrarei de meu pássaro solitário, que nunca foi meu. Conviverei com meu novo pássaro, que também não será meu.
     Não quero que seja meu. Quero que seja livre, pois seu canto seria diferente se o prendesse a mim. E gosto do canto dele, assim. Que nome dar a meu novo pássaro? Não sei ainda. Dependerá das horas em que ele cantar.
     Meu pássaro solitário cantava sozinho, de noite, ou de dia, não importava, ele seguia seu tempo, e cantava quando tinha vontade de cantar. Chamava ele de meu pássaro solitário, porque ele cantava sempre sozinho. Quando outro pássaro tentava seguir seu canto, ele parava, talvez para apreciar, ou, para respeitar o espaço do outro.
     O canto do meu novo pássaro se sobrepõe ao dos outros. Mesmo que cantem junto a ele, o seu canto é o mais forte.
     Me identificava com meu pássaro solitário. E sentirei falta de seu canto. Entretanto, o canto de meu novo pássaro é forte, forte como a liberdade, forte como a confiança, forte como quem luta para seguir, e segue.
É isso. Meu pássaro livre. Tentarei ser tão forte quanto seu canto, meu pássaro livre. E tão livre quanto a minha força me permitir.
     Cante quando quiser, você é livre para cantar, você é agora meu pássaro livre, meu pássaro forte, e tentarei não ter medo de te imitar. A liberdade, eu sei que vou ganhar, com a força, a mesma que eu utilizar para cantar. Cantarei, ou, se preferir, viverei, com a força de teu canto, você é agora meu pássaro livre, meu pássaro forte, e só lhe peço, para permitir-me ouvir-lhe cantar.