quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Conto - Seguia..





Hoje tive um sonho estranho.

 No sonho eu caminhava nas ruínas do que eu já chamara de mundo.
 Ruas desertas, casas e prédios no chão. Não havia, por mais incrível, nenhum tipo de dor, felicidade ou sentimento. Ao menos não em mim, eu não sentia.

 Paredes destruídas, nenhum tipo de som, nenhum sinal de vida. Apenas eu, com minhas certezas e poesias.

 Casas abandonadas, paredes ao chão, apenas entulho para muitos. Eu vestia um vestido branco, esvoaçante, eu não tinha metas, nem objetivos, não tinha certezas, era movida apenas por uma doce e inocente curiosidade.

 Mas, assim como cada um tem seu próprio tempo, eu escolho o que quero ver. No sonho eu não tinha vontades, nem mesmo sonhos, não havia Sol, Lua ou fontes de luz, mas tudo estava tão claro...

 Não haviam verdades, objetivos, sonhos certezas nem mesmo as ilusões, as pessoas só veem aquilo que querem ver. E eu caminhava sozinha, iluminada por uma luz de fonte indefinida, meu vestido branco com decote em "v" e mangas largas, feitas para caírem por meu corpo.

 Não existiam fatos, desejos, no sonho não havia união, e eu era apenas uma folha, que o vento for mandou para a vida. Não sabia aonde ia dar, não sabia o que iria enfrentar, não sabia de coisa alguma, e até agora, acordada, confesso que não sei, eu apenas via o que poucos veem.

 Não existia verdade absoluta, não existiam certezas, eu era apenas uma folha vestida de branco, em meio a entulhos, na mão direita um caderno, com uma caneta presa em suas argolas.
 No sonho não havia passado, e eram raras as memórias de antes de estar lá. Não sabia de nada, estava no meio do nada, mas em momento algum eu vi a morte. Eu via apenas vida, pois cada um escolhe o que quer ver.

 No sonho eu não sabia ao certo de onde vinha, e não tinha ideia de para onde iria, ou, aonde iria chegar.
 Não havia sinal de vida, mas a meu ver ela estava em todo lugar.

 Não tinha certeza de nada, a verdade nunca existiu e eu sabia apenas que devia seguir em frente, que olhar para trás não me faria mal, que era necessário rever as origens.

 No sonho, eu seguia em frente, estava resolvida com o passado, e ele não mais me afetava, pelo contrário, ele me fazia bem. Eu não me importava com o som do silêncio, como nunca me importei, confesso que subia nas pilhas de entulhos de vez em quando, queria saber aonde ia chegar, mas nada via além do infinito e todas as suas probabilidades. E eu não ligava para aonde eu iria, nem me perguntava como e quando iria chegar. Eu apenas seguia sozinha com minha poesia.