sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Texto - Janela do ônibus de viajem

     
  O céu azul está coberto de nuvens, que se parecem com pequenas bolas de algodão. O Sol fraco causa sombras no dia. Ao meu lado plantas da cor da terra que voa, quando os carros passam.
   Risos, conversas, música, brincadeiras adolescentes me cercam. Porque não faço parte de nenhum desses?Não sei, talvez porque agora, eu só queira escrever.
     Uma ponte e um trem azul que passa sob ela. Flores de um vermelho sangue tem pouco destaque contra a terra avermelhada.
Uma igrejinha, perdida no nada, e ao mesmo encontrada.
     O pouco Sol que transpassa as nuvens, cai como sombra em contraste com minha pele, e escurece um pouco meus cabelos.
     Vejo alguns pardais, poucos na verdade. A vegetação agora é rasteira, entretanto um pouco mais a frente vejo belos pinheiros com novas folhas, pois o outono acabou.
     É primavera, porém são poucas as flores.
     Uma capela, uma aero-não-sei-o-que, e montes com formatos parecidos com os desenhos de uma criança, tomam minha visão agora.
     Uma fazenda, com vacas e belos cavalos. Alguns brincam, dizendo que as vacas são parentes de alguns amigos próximos, só para brincar, ou de alguém que não gostam em tom de brincadeira, mas sabemos, ou eu sei, que por trás dessa brincadeira há a ofensa escondida.
     Mais pinheiros, uma poça de água e lama, um buraco na terra.
     A pista dividi-se em dois cominhos. Causando a famosa dúvida do: "Qual seguir?".
Flores e espinhos cercam os lados do caminho escolhido, toda flor tem seus espinhos. Toda flor machuca. Mas veja de outra forma, porque afinal as pessoas vêem apenas o que querem ver, veja a flor em si, olhe apenas para suas belas formas, pétalas e cores, sinta seu doce perfume, e não enxergará seus espinhos antes de se furar.
     Árvores cercam-me agora. Sinto-me em uma floresta, mas logo é campo aberto de novo, pastagens, o que me faz refletir e chegar á conclusão de esses campos foram provavelmente desmatados.
Tome cuidado com meus espinhos, pois sou como uma flor. Sou capaz de machucar docemente, e fazer com que se culpe por isso. Basta não me tocar.