sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Texto - Árvore



    Estava sentada nas raízes de uma árvore, senti a brisa macia, e a vi derrubar uma folha, vi ali a morte.
    Então parei para pensar, e percebi que a morte é indiretamente, vida. Parece estranho não é? Coisas estranhas me atraem, por isso fui mais a fundo.
     A morte é vida, porque se a folha não morresse, ela não alimentaria a terra que alimenta a árvore. Vi na árvore, a vida.
     Suas raízes fincadas na terra, demostrando força. Seu tronco crescendo alto contra a gravidade, vi ali a teimosia, seus galhos ainda mais altos, crescendo mais a cada dia, numa doce sinfonia causada pelo vento contra as folhas.
     Vi a beleza em suas flores, vi a vida em suas frutas que alimentam não só a mãe, mas também a outras vidas. Vi em suas sementes a renovação da vida.
     Na mesma árvore vi também, o que chamam de árvore genealógica, nas raízes vi uma mãe que não importa-se em enterrar, para dar vida aos filhos, no tronco, vi os sonhos que todos temos de crescer, de ter destaque. Nos galhos, vi o começo de novas vidas, aquelas que chamam de folhas.
     Vi também o drama de uma mãe que chora, ao ver seu filho morto, a seiva como lágrimas, quando a brisa derrubou a criança.
     Vi uma folha ser lançada para a vida por uma ventania, vi-a rodopiar, olhando para trás, mas ainda assim seguindo em frente, vi novamente as lágrimas de seiva de uma mãe, que solta seu filho para o estranho, sem saber o que irá acontecer com ele depois.
     Vi na folha a saudade daquele vai, e a certeza de que o certo é seguir.