sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Texto - Fria escuridão


Não me importo com o frio da noite. Ao menos não agora. Entretanto não posso ser vista.
     A noite é escura, e a escuridão é fria. Gosto da noite. Gosto do frio que torna minha pele rosada.
     O vento balança o tecido fino de minha camisola, fazendo com que ela bata em minhas coxas periodicamente.
     Hoje a noite não tem luar. Vejo apenas o brilho de algumas estrelas a não sei quantos anos luz de distância. Sequer sei se seu brilho é vivo ou morto. Sei apenas o que vejo, e não o que quero ver. Claro, escolho dentre o que vejo no que me apegar, o que quero ver.
     O vento agora sopra, forte, jogando meus cabelos para trás. Vento, vento. Vento que leva tantas coisas, vento que derruba casas, vento que leva até mesmo sonhos, eu permito que leve minhas mágoas. E porque não aproveita e leva junto meus temores?
     Eu sei porque. Você não pode levá-los para sempre não é? Em algum momento as casas você deixará de levar. E quanto aos sonhos, mágoas, temores e sentimentos... Hora ou outra você terá de soprar. E sei que cedo ou tarde, você os devolverá.
     E lutar contra você, seria o mesmo que lutar contra mim mesma. Eu poderei, e posso lutar. Entretanto, não poderei vencer, ou, perder.